Facebook
Transformando planos em formas – Centro Cultural do Alumínio

Um estudo sobre a arte e a técnica de Luiz Sacilotto

Nos dias 21 a 23 de fevereiro, o Centro Cultural do Alumínio promoveu o encontro Sacilotto, o gesto da razão, no qual a obra de Luiz Sacilotto (1924-2003) foi o fio condutor para um estudo sobre a história da Arte Moderna e o Concretismo no Brasil, além de duas oficinas de corte e dobra de alumínio, técnica em que o artista foi pioneiro.

Na ocasião, o CCAL recebeu 30 convidados entre artistas e representantes de instituições culturais como o SESC-SP, Pinacoteca de São Paulo e Casa do Olhar Luiz Sacilotto, além a ilustre presença do filho caçula do artista, Adamastor Sacilotto.

Conduzida por Saulo Di Tarso, artista visual e curador que conviveu dez anos com Sacilotto, a palestra primeiramente contextualizou a obra do artista dentro da história da arte geral e, mais especificamente, da arte brasileira.

Sacilotto era um artista de vanguarda e, como é comum nesses casos, existe um desconhecimento histórico sobre o seu processo criativo, pois o Brasil produz muito pouca historiografia de arte; ele sempre foi muito estudioso e dominava conteúdos pouco conhecidos, ligados ao modo de pensar a arte que ele fazia.”

Na sequência, o Di Tarso exibiu mais de 40 obras de Sacilotto e outros artistas modernistas do Brasil e do exterior para fazer, segundo ele, uma parametrização histórica desse período criativo. Ao aproximar essas obras e analisar suas sutis diferenças fica evidente a relevância de Sacilotto para a Arte Moderna.

 

“Quando o artista tem uma grande importância, consegue-se falar sobre ele de uma maneira indireta, é uma forma das pessoas perceberem a extensão de sua obra. Isso permite ainda que as pessoas entendam que a arte não é um fenômeno isolado, mas fruto também da interação com outros artistas de sua geração”, justifica.

Para o palestrante, é fundamental difundir que o Brasil também é parte da corrente mundial da arte, embora nem sempre seja citado com a devida importância na bibliografia mundial.

Oficinas

Nos dois dias seguintes, oito artistas plásticos passaram pela oficina de corte e dobra de chapas de alumínio, novamente sob a orientação de Saulo Di Tarso. “Essa foi a primeira experiência do centro cultural com um público que já trabalha com arte e tem o seu próprio processo criativo; o Saulo observou as características de cada artista e, após instigá-los com a técnica do Sacilotto, nasceram diversos trabalhos, cada um com sua personalidade”, diz Sílvia Toledo, gerente cultural do CCAL.

Segundo Di Tarso, a metodologia do corte e dobra de chapa de alumínio como técnica de escultura foi bastante assimilada pelo grupo que, predominantemente, tinha um olhar mais voltado para o desenho, para a arte bidimensional.

“Na história da escultura, nunca houve nada tão radical como o corte e dobra, ao transformar um plano em volume com tanta eficácia. Aqui nas oficinas, nós trabalhamos exatamente da mesma forma como o artista fazia em seu ateliê e, o curioso, é que todos os participantes conseguiram, de um modo geral, compreender que ninguém estava ali para reproduzir obras do Sacilotto”, resume.

Fernanda de Biaggi, artista e editora de vídeo, foi uma das participantes das oficinas. Segundo ela – que trabalha com vídeo e ilustrações e sempre manteve um distanciamento da escultura – foi um desafio ter de transformar um desenho em recortes e dobras. “Meu trabalho é mais orgânico, menos geométrico e modular, mas foi uma experiência muito bacana conhecer essa técnica, instigando-me a pensar de forma tridimensional”.

A artista plástica e arquiteta Ângela Ferrara, também uma estreante na escultura com metais, ficou surpresa com a facilidade de trabalhar com o alumínio. “eu não tinha noção de que o alumínio tivesse tantas possibilidades como suporte de arte; é sensacional poder criar esculturas utilizando uma chapa e uma tesoura profissional para fazer o processo de corte e dobra”.

Já o grafiteiro Guilherme Gallé, cujo trabalho tem muita referência geométrica, aplicou a técnica do corte e dobra na silhueta dos rostos que ele costuma grafitar, dando tridimensionalidade ao desenho. “É como se a obra tivesse um movimento, fizesse uma rotação de 90º mudando conforme o tempo, tal qual um relógio”, explica.

Os artistas também levaram para seus ateliês chapas de alumínio para produzirem novos trabalhos, com base em suas próprias técnicas de criação. Essas obras, que irão compor um mural, vão se somar ao resultado das oficinas para comporem uma exposição no mês de março.

Incentivo Cultural: a palestra e as oficinas sobre Luiz Sacilotto integram o projeto de Manutenção do Centro Cultural do Alumínio – uma realização do Ministério da Cultura (Lei Rouanet de Incentivo à Cultura) e Quattro Projetos e que conta com o patrocínio das empresas CBA, Hydro e Novelis. A empresa Shock Metais forneceu as chapas de alumínio para as oficinas.